Amor peixes e outras loucuras

Disponibilidade: Brasil/Europa

Fui o Diabo de alguém a troco de compulsivo
Amor nos braços de outrem. Queixava-se do tempo
que tinha o corpo trocado com o inferno
vestidos de Lolita, uma ninfeta sem amparo —
e um pacto quebrado que impede os sobrelimites
da escrita – e do andamento nefasto da morte:
do consumo exasperado de literatura a troco
de umas poucas moedas de vida. Banalidades
que desaprendo com a virtude de desconhecer
a mão perversa que guia todos os poemas:
Sou-o por mim e de mais ninguém, alegras-me,
solidão de memória, inventada para todas as ocasiões
tal qual o vestido negro que dispo perante
Anjos Caídos, figuras celestiais à coca
de paranoias inventadas – redenções e outros
desgostos vívidos da fantasia que teima a vigilância
do demónio Maior Amor, Corpo torpe que cai-cai
e brilha a música que preenche o vazio e é
orquestra de espirito sem maestro. Lígia Reyes

R$45,00

_sobre este livro

_sobre este livro

Três temas se destacam ao longo desta obra: o esquecimento, a lucidez e a individualidade. Não fosse a segunda parte do livro apelidada de “outros exercícios de loucura”, pois sabemos que precisamente estas três componentes são parte essencial da identificação de um estado mental saudável. Contudo, a transfiguração da memória, o entendimento do que é ou não lúcido, assim como o respeito pelas individualidades são dimensões transversais a toda a gente. Não é só o sujeito poético que as atravessa, mas sim todos os leitores. Somos todos produtos de exercícios repetidos de loucura e de sentimentos absolutamente incompreensíveis, como os dos peixes. No poema “Noturno”, o sujeito poético fala das construções de abstração tridimensional como forma que cada ser humano tem de construir a sua realidade, “poemas exaltados sobre a nossa condição humana,/ mas frágil e de beleza vulnerável”. A poesia é encarada pelo sujeito poético como uma interpretação sempre do leitor, visível no poema “Estirpe”: “Revês um poema à espera de vislumbrar alguém;/és só tu, preso ao espelho em que te admiras”. O silêncio ensurdecedor do poema é reflexo da condição humana, do Amor Peixe, também ele indecifrável mas com tantas implicações emocionais. É o poeta apaixonado por um abismo que se atreve a metamorfosear o universo interior na forma poética. Nesta inércia física, o despertador é música que toca alarmando a cardíaca inércia uma vez que lá fora já é dia há muitos anos.

Sara F. Costa

_outras informações

idioma: português
encadernação: brochura
formato: 14 x 19,5
páginas: 94
papel: pólen 90 gramas
ano de edição: 2019
edição: 1ª

Carrinho

Cart is empty

Subtotal
R$0.00
0